"— O tempo consome e reconstroi; os Relologi surgem para apagar o que o Vazio ousou deixar."
– Fragmento de inscrições nas ruínas de Icathia
Durante uma incursão pelo deserto infindável, onde as areias parecem eternamente mover-se em um balé silencioso, deparei-me com os enigmáticos Relologi. Criados por um mago cujo nome se perdeu nas brumas do tempo, logo após a queda de Icathia, esses construtos emergem esporadicamente, como se obedecessem a um compasso arcano destinado a limpar os resquícios do Vazio. Não se sabe ao certo o porquê de sua missão, tampouco o método pelo qual o material coletado desaparece misteriosamente, como se jamais tivesse existido.
A história dos Relologi se entrelaça com os ecos de um passado remoto, onde o poder do Vazio era temido e as ruínas de Icathia contavam segredos que desafiavam a compreensão humana. O mago responsável por sua criação, esquecido por seus contemporâneos, buscava talvez um meio de preservar ou, paradoxalmente, erradicar vestígios de uma era de calamidades. O resultado foi o surgimento desses autômatos feitos de ouro e jade, cujas superfícies reluzentes lembram as de um relógio de sol. Eles não possuem um rosto que revele emoções ou intenções; seus membros, desconectados do corpo, flutuam com uma liberdade que desafia a gravidade, como se obedecessem a uma lógica própria, regida por antigos encantamentos.
Ao observá-los de perto, a peculiaridade de sua constituição torna-se evidente. O contraste entre o brilho do ouro e a tonalidade esverdeada do jade cria uma aura de elegância e estranheza simultâneas. A ausência de traços faciais reforça sua natureza impassível, e o fato de seus membros parecerem pairar, desconectados, sugere uma mecânica que foge aos métodos convencionais de ligação entre partes e todo. Essa configuração peculiar faz com que cada movimento dos Relologi seja uma demonstração de precisão milimétrica: seus gestos são calculados, com a serenidade de quem conhece um propósito fixo, sem jamais vacilar ou demonstrar qualquer hesitação.
Em termos de comportamento, os Relologi parecem responder a um relógio interno que marca ciclos de atividade específicos. Eles se erguem por entre as dunas e ruínas Icathianas, exatamente quando os vestígios do Vazio começam a se acumular. Sem qualquer sinal de agressividade, iniciam a coleta meticulosa de detritos e materiais, reunindo-os em um único ponto do deserto. Durante esse processo, não há tumulto ou rebuliço – apenas um silêncio ritual, interrompido apenas pelo som sutil do metal se movendo e do jade se ajustando em seu lugar, como peças de um mecanismo ancestral. Em questão de instantes, o material colhido se dissolve, como se uma força invisível o sugasse para um destino desconhecido, deixando para trás apenas a calmaria e o mistério do deserto.
Meu encontro com os Relologi foi breve, mas deixou uma marca indelével em minha memória. Observá-los era como testemunhar um ritual onde o tempo e o Vazio se encontravam numa dança silenciosa, coordenada por forças que transcendem a compreensão humana. Eles não se movem com a fúria ou a urgência de guerreiros, mas sim com a precisão fria de um mecanismo que nunca erra seu compasso.
Bloco de Estatísticas do Relologi
Abaixo está o Bloco de Estatísticas do Relologi:
Bloco de Estatísticas do Mini Relologi
Abaixo está o Bloco de Estatísticas do Mini Relologi: