"Não tema a fera que você conhece
Pois alguns sobrevivem ao seu furor
Mas aquele que quebra a proa
Arrasta todos para o terror"– Escrito na viga de uma taverna em Águas de Sentina
Nos cantos mais sombrios das tavernas de Águas de Sentina, marinheiros compartilham sussurros de uma monstruosidade que habita as profundezas. Conhecida apenas como a Fera Submarina, essa serpente marinha colossal é uma lenda viva, um terror das ondas cuja mera menção faz os mais corajosos beberem para esquecer. Poucos a viram e sobreviveram para contar a história, mas os fragmentos de suas descrições constroem uma imagem que arrepia até os ossos mais endurecidos pela vida no mar.
A Fera Submarina é gigantesca, tão imensa que dizem que sua presença faz o oceano parecer menor. Seu corpo serpenteia por entre as ondas como uma sombra colossal, o dorso quebrando a superfície como montanhas móveis. De seu interior emana um brilho vermelho-fogo, uma luz que parece pulsar como um coração maligno, visível mesmo através das camadas de carne e escamas enegrecidas. Seus olhos, brilhando no mesmo tom rubro, são como faróis de condenação, prometendo destruição iminente para aqueles que ousam cruzar seu caminho.
Diz-se que ela não caça por necessidade, mas por prazer, destruindo navios inteiros e deixando apenas fragmentos flutuantes para trás. Seu ataque é imprevisível, mas devastador. Primeiro, uma quietude mortal toma o mar ao redor, como se a própria água reconhecesse a ameaça e recuasse. Então, sem aviso, o enorme corpo da Fera emerge, rachando o casco de navios com sua força imensa ou engolindo embarcações inteiras em uma única bocada. A visão de seu dorso emergindo é um presságio de morte certa, e muitos que avistam essa cena nunca vivem para contar.
Alguns estudiosos de Runeterra argumentam que a Fera Submarina pode ser um remanescente de um tempo mais antigo, uma relíquia viva de eras esquecidas, quando monstros maiores que cidades governavam os mares. Outros especulam que sua origem está ligada às energias sombrias das Ilhas das Sombras, que podem tê-la corrompido e aumentado seu poder. Independentemente de sua origem, todos concordam que a Fera Submarina é uma força da natureza que não pode ser desafiada nem contida.
Os marinheiros contam histórias sobre os poucos momentos em que a Fera se aproxima. Dizem que seu brilho rubro hipnotiza tanto quanto aterroriza, e que a água ao seu redor começa a ferver antes de seu ataque. Muitos navios desaparecidos são atribuídos à sua presença, seus destroços formando um cemitério submerso que serve como prova de sua fúria. Há até quem diga que sua voz pode ser ouvida sob as ondas, um rugido baixo e constante que ecoa pelas profundezas como uma canção de morte.
Águas de Sentina aprendeu a respeitar, temer e até venerar essa criatura em silêncio. Tavernas exibem amuletos para afastá-la, enquanto marinheiros mais supersticiosos oferecem pequenos sacrifícios ao mar antes de cada viagem. Alguns caçadores ousados tentaram enfrentá-la, buscando fama ou vingança por tripulações perdidas, mas nenhum retornou.